
Estimados discentes e leitores,
Boas leituras.



Inicialmente sugerida pela docente da Unidade Curricular, Professora Dina Baptista, a leitura de "Livro" revelar-se-ia surpreendente. Confesso que desconhecia a obra de José Luís Peixoto, mas de facto a sua escrita é sublime e cativante. O realismo das descrições, a autenticidade das personagens, a simplicidade da escrita, mas também a forma apaixonada como retrata o seu Portugal, são apenas alguns dos motivos para a leitura de "Livro". Para além do referido, JLP descreve com exactidão as histórias de vida dos muitos emigrantes que, ano após ano, partiam(em) em busca de uma vida melhor. Numa clara homenagem aqueles que sacrificam o abandono da sua terra, das suas gentes, o autor distingue de forma magnifica, a ruralidade, a pobreza, a má formação (Portugal) e o ambiente urbano, eloquente, enriquecedor e próspero (França).



A cidade transforma-se num imenso deserto, onde tudo perdeu o sentido.
Podemos dizer que este livro é a expressão máxima da solidão humana.
Sem dúvida um livro cheio de beleza literária onde faltará, porventura, uma estrutura narrativa capaz de enredar o leitor naquilo que a maioria de nós procura num livro: uma "estória". Estorvo não é uma "estória", é a alma de um homem que é estorvo no mundo. Ou melhor, a "estória" de um mundo que é estorvo para um homem


No livro "Estorvo" a personagem principal vive em permanente equilíbrio precário entre o sonho e a vigília, o real e o pesadelo, a inquietação e o medo, sempre na margem do mundo. Vítima da modernidade, ele narra-nos os seus dramas submetendo a eles todo o percurso narrativo, num monólogo interior em que narrador, personagem e autor se misturam.
"Seja um homem, Senhor Ridley. Vamos hoje, pela graça de Deus, acender na Inglaterra um facho que, tenho a certeza, nunca mais se extinguirá".