José Luís Peixoto fala de "Livro" no programa "Ler mais, ler melhor".
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sexta-feira, 10 de junho de 2011
Porquê, "Livro"?
Inicialmente sugerida pela docente da Unidade Curricular, Professora Dina Baptista, a leitura de "Livro" revelar-se-ia surpreendente. Confesso que desconhecia a obra de José Luís Peixoto, mas de facto a sua escrita é sublime e cativante. O realismo das descrições, a autenticidade das personagens, a simplicidade da escrita, mas também a forma apaixonada como retrata o seu Portugal, são apenas alguns dos motivos para a leitura de "Livro". Para além do referido, JLP descreve com exactidão as histórias de vida dos muitos emigrantes que, ano após ano, partiam(em) em busca de uma vida melhor. Numa clara homenagem aqueles que sacrificam o abandono da sua terra, das suas gentes, o autor distingue de forma magnifica, a ruralidade, a pobreza, a má formação (Portugal) e o ambiente urbano, eloquente, enriquecedor e próspero (França).Um ultima referência para as ilustrações do livro que, na minha opinião, deveriam ser marcadas por ícones alusivos à emigração, como a imagem que descreve a partida de comboio dos muitos emigrantes para parte incerta do globo.
Penso que a minha escolha foi acertada e bastante enriquecedora. Aconselho vivamente!
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Livro, viens ici
"Ás oito e meia, saiu disparado para chamar um carro de praça. Ela a soprar, a soprar, assustada. Às dez, estavam a entrar na maternidade. Ela, tapada com um lençol, a querer levantar-se da maca. Foi às duas e meia da tarde, boa hora, Foi às duas e meia da tarde que eu nasci."
Fantástica a descrição de José Luis Peixoto do nascimento de Livro, filho de Adelaide e Ilidio, ainda que o marido de Adelaide seja Constantino. Nascido em França, Livro é um jovem culto e frequenta a melhor Universidade em Sorbonne. Esta personagem tem perfeita noção do fosso cultural existente entre Portugueses e Franceses. A indefinição das suas raízes, fruto do seu registo francês e, simultaneamente, Português, provocam-lhe um sentimento de indefinição sobre a sua Pátria-Mãe. Livro "encarna" todos aqueles que não adoptaram, Portugal ou França, como países de origem, fruto das mudanças culturais. Nestes casos verifica-se a transmissão de traços culturais de uma sociedade para a outra.
La belle Paris
A segunda parte da obra retrata vivência dos Portugueses em França. As condições de vida em Portugal não eram as desejadas, o sistema politico vigente era rigoroso, ditatorial e a guerra colonial era uma "constante" incerteza. Assim, a emigração surge como a tentativa de melhoria das condições precárias para muitos Portugueses. Em França tudo ganha nova vida, tudo é mais risonho, os salários mais elevados e aqueles que partem agarram as oportunidades que surgem. Enquanto Cosme arranja um trabalho como porteiro num Hospital, Adelaide desdobra-se, fazendo limpezas na casa dos Franceses. Já Ilidio, à semelhança de muitos Portugueses acabaria por ir trabalhar para as obras. As diferenças entre o Portugal rural e a vida citadina de Paris são gritantes.
"A Adelaide e a Libânia deram as mãos quando o comboio entrou nos arredores de Paris. Tanto se admiraram com os prédios, como com as fábricas, com os armazéns, como com as pessoas que estavam suspensas na estações onde o comboio passava sem parar."
quarta-feira, 1 de junho de 2011
As personagens
(...)"O Cosme, o Ilidio e o Galopim eram um grupo despropositado, com a diferença de alturas e de maneiras de caminhar. Muito brancos, vinham calados. Com a navalha, o Josué cortou pão e uma tira de toucinho para cada rapaz. O pai do Cosme encheu um copo de vinho para os três. Aos poucos, voltaram a ganhar cor (...)"
As personagens de Livro são na sua essência, verdadeiras, puras, quase inocentes. Muito mais do que simples criações, cada personagem tem uma história de vida para contar.
A autenticidade e originalidade com que são descritas revelam, a forma de estar, agir e sentir de uma comunidade rural mas sobretudo do povo português.
Ilídio, Adelaide, Galopim, Cosme, Josué, Livro, a velha Lubélia ou Daquele da Sorna são apenas alguns nomes dos intervenientes neste romance que, segundo o autor foram escolhidos,"por serem nomes bonitos que infelizmente estão em desuso".
terça-feira, 31 de maio de 2011
"A mãe pousou o livro nas mãos do filho"
“A mãe pousou o livro nas mãos do filho. Que mistério. O rapaz não conseguia imaginar um propósito para o objecto que suportava. Pensou em cheirá-lo, mas a porta do quintal estava aberta, entrava luz, havia muita vida lá fora.”
Inicia-se a espantosa viagem de Livro. Dividida em duas partes distintas, a obra contempla numa primeira fase o ambiente rural, de miséria, de fome mas também de falta de liberdade. Retrata-se a “felicidade proibida” de Ilídio e Adelaide, duas personagens presentes no romance, envolta pelo medo, pelo preconceito, pela vergonha, pela censura do regime Salazarista.
A acção desenrola-se numa vila pobre do interior de Portugal e caracteriza-se pela descrição autêntica e realista. A comprová-lo surgem episódios como, a matança do porco ou os tradicionais bailes, onde todos convivem e participam. Os bailes de verão são a grande festa da vila e o ponto de encontro dos emigrantes com os seus familiares, mas sobretudo o reencontro com as suas raízes, com os seus hábitos e tradições.
domingo, 22 de maio de 2011
Dino Meira interpreta "Viva Emigrante Viva"
Para complementar a temática da emigração, abordada no "Livro", encontrei este tema interpretado pelo cantor Dino Meira. Ao longo da canção são enumerados todos aqueles que, um dia partiram na ânsia de melhorar as suas condições de vida, sem nunca esquecerem as suas raízes. A música popular portuguesa é mais um exemplo das diversas homenagens aos emigrantes portugueses. Merecidas!
Breve resumo do "Livro"
A obra de José Luís Peixoto,“Livro”, retrata a diáspora ocorrida nos anos 50 e 60, para França. A procura de melhores condições de vida, o visível atraso de Portugal em relação à Europa, a fuga ao serviço militar e ao regime Salazarista, estiveram na origem desta emigração.
Camponeses crentes, impulsionados pelo sonho de uma vida melhor, sem opressão, sem fome, sem medo e com mais oportunidades, partem à descoberta de uma nova realidade. Contudo, a realidade precária encontrada nos bairros de Bidonville, revelar-se-ia diferente da idealizada, atendendo à falta de condições mínimas para se viver. Temáticas como, a ruralidade, a emigração, socialização são descritas ao longo da narrativa, sem nunca esquecer o traço distintivo do Povo português: a sua Identidade cultural. Um romance fantástico que, segundo o autor pretende "heroicizar os portugueses, o povo português". A não perder!
quinta-feira, 19 de maio de 2011
O "Livro" no Youtube!
Num breve resumo da obra, este vídeo promocional do "Livro" dá-nos a conhecer a realidade vivida ao longo do livro.Com imagens da terra-natal do autor, conta com a selecção musical dos Moonspell. Numa palavra, Sublime!
segunda-feira, 16 de maio de 2011
"Livro" de José Luís Peixoto
O "Livro" do autor, José Luis Peixoto é, definitivamente, de leitura obrigatória. A viagem que agora inicio comprová-lo-à!Neste momento, importa analisar a perspectiva deste jovem autor, acerca da importância que o livro assume do ponto de vista do leitor. No mínimo curiosa.
"Acredito que a vida de um livro enquanto está nas mãos do autor não é mais importante do que quando está nas mãos do leitor".
"Tudo o que um leitor leia num livro é legítimo porque nessa fase o leitor é tudo, é ele que faz o livro".
"Livro" - Biografia do autor
José Luís Peixoto nasceu em 1974, em Galveias, Ponte de Sôr. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa, foi professor em Praia, Cabo Verde. A sua Obra tem sido reconhecida, nacional e internacionalmente. Em 1997, 1998 e 2000 recebeu o Prémio Jovens Criadores.
Em 2001, o seu romance «Nenhum Olhar» recebeu o Prémio Literário José Saramago, tendo surgido, no mesmo ano, a publicação do seu primeiro livro de poesia, «A Criança em Ruínas», que atingiu os 15 mil exemplares vendidos.
Em 2005, escreveu as peças de teatro «Anathema» e «À Manhã». No ano seguinte, publicou o romance «Cemitério de Pianos», recebendo em Espanha, o Prémio Cálamo - Otra Mirada, atribuído ao melhor romance estrangeiro daquele Pais.
Em 2008, a edição do romance «Nenhum Olhar» para os Estados Unidos, intitulado «The Implacable Order of Things», foi integrado na selecção semestral "Discover Great New Writers" das livrarias Barnes & Noble, sendo o único romance em língua estrangeira a fazer parte dessa lista.
Os seus romances estão publicados e traduzidos num total de 18 idiomas, distribuídos em mais de 40 países. Os seus livros têm tido referências críticas em publicações internacionais de referência como: The Independent, The Guardian, Time Out New York, El País, El Mundo, Le Monde, Folha de São Paulo.
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